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quinta-feira, 4 de março de 2010

é pau, é pedra, é o fim do caminho

Veio de repente. Feito onda em dia de ressaca no mar. Aliás, acho que é mesmo isso. Ressaca de sentimentos. Passa um tempo calmo, sem vento, sem chuva, dias de sol, tranqüilos e angustiantes pela falta de emoções. De repente começa uma agitação quase imperceptível. Os ventos mudam de direção. E tudo se revolta. Ondas de dois a três metros levando tudo que vêem pela frente. Muda o formato da areia. Muda os desenhos daquela praia já conhecida. A areia é a mesma, o mar é o mesmo, até o nome da praia continua igual, mas seria impossível dizer que nada mudou. Talvez seja a hora de deixar a ressaca vir. Deixar o mar revolto lavar as pedras e a areia. Renovar. Mostrar algo, descobrir, revelar. E até quem sabe se deixar levar. A areia sempre fica mais alva depois da ressaca. Que venham as águas de março.

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O apagar do Fogo



Hoje ao ler o blog Entrelinhas do Luciano Assis descobri que a Banda "Cordel do Fogo Encantado" está encerrando carreira. A notícia me deixou triste e me trouxe a lembrança da primeira vez que ouvi a banda.
Eu com 14 anos, no carro da minha irmã mais velha Marina, na época com 18 e em seu primeiro ano de universidade. Achei aquela música "esquisita" e pedi a ela que tirasse. A "sys", como sempre, não só se recusou, como aumentou o volume e me fez ouvir várias vezes. Ainda Bem. Acabei gostando da banda e aprendendo a apreciar o trabalho deles. Um som diferente de tudo que já tinha ouvido, uma poesia linda. Tudo muito Brasileiro.
E agora me pego aqui, lamentando o fim da banda e não ter tido a oportunidade de ver um show deles ao vivo. E agradecendo a minha irmã por toda sua colaboração na minha formação, inclusive e principalmente, no meu gosto musical.


Pra quem gosta, ou quer conhecer, vai um videozinho de lembrança =)







segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Dezembro

Dezembro é mês das cidades. É mês de Cecília. Mês de Iracema

É um mês indefinido. Dias de festa. De muitos afazeres. De reflexão. De fazer nada e fazer tudo ao mesmo tempo. E ainda tem esses dias entre Natal e Ano Novo com um ar indefinido de retrospectiva e novidade.

Dias de pensar, no que se fez e não se fez. Mesmo que pela reflexão forçada do “Então é Natal”.

É mês de chuva com calor, é mês de encontrar e reencontrar amigos e amores.

Mês de ficar injuriado e dessa injúria tirar forças para no próximo ano fazer diferente. Fazer cumprir as metas de ano novo para que durem mesmo quando o ano já for velho.

É mês de sonhar sonhos que sonhos são. E quem sabe até realizá-los, mesmo sabendo que o sonhar é mesmo o mais o mais importante. Mês de descalçar as luvas para ler a mão, mesmo sabendo que nelas não sequer encontrarei linhas.

É mês de estar com a família e sonhar com a família que será. De pensar em nomes e fazer planos. De ouvir o sambinha bonito pra chuchu e sonhar com aqueles olhinhos de dentro do ser. De chamar em silêncio aquele outro nome sussurrado, sibilado. E pensar nesse futuro tão distante e tão presente.

E agora? Nem um barco. Nem um peixe. Cai a tarde. Quem sabe o meu nome? Vem o Sol depois da chuva e com ele o conhecido ar pesado e reconfortante de dezembro. A espera de ver o poente na espinha que quase arromba a retina na chegada de novos dias, com novos ares.

Passou o mês das cidades.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Sinal Fechado

– Olá! Como vai?
– Eu vou indo. E você, tudo bem?
– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro... E
você?
– Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranqüilo...
Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é, quanto tempo!
– Me perdoe a pressa - é a alma dos nossos negócios!
– Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
– Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!
– Pra semana, prometo, talvez nos vejamos...Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é...quanto tempo!
– Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das
ruas...
– Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança!
– Por favor, telefone - Eu preciso beber alguma coisa,
rapidamente...
– Pra semana...
– O sinal...
– Eu procuro você...
– Vai abrir, vai abrir...
– Eu prometo, não esqueço, não esqueço...
– Por favor, não esqueça, não esqueça...
– Adeus!
– Adeus!
– Adeus!