terça-feira, 28 de junho de 2011
Desespero
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Saudade
domingo, 17 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
É um medo que vai, que fica,
escorre, corre, grita,
Canção de nuvem e vento
Medo Medo
Medo da nuvem que vai crescendo
Que vai se abrindo
Que não se sabe
O que vai saindo
Medo da nuvem Nuvem Nuvem
Medo do vento
Medo Medo
Medo do vento que vai ventando
Que vai falando
Que não se sabe
O que vai dizendo
Medo do vento Vento Vento
Medo do gesto
Mudo
Medo da fala
Surda
Que vai movendo
Que vai dizendo
Que não se sabe...
Que bem se sabe
Que tudo é nuvem que tudo é vento
Nuvem e vento Vento Vento!
(Mario Quintana)
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Uma Vez
E agora só quero que os dias passem
Depressa
Mesmo aproveitando cada
Segundo
Quero que voem como nunca dantes
sempre à espera do segundo
eterno
O segundo, o minuto
durarão uma vida inteira
Voem horas
voem
E que cada minuto leve
consigo a lágrima que lhe cabe
Que aquele dia venha
com o sorriso
a serenidade
que aqui permanecerão
segunda-feira, 19 de abril de 2010
primavera
Hoje vi borboletas brincando de amor.
Brincando com o amor.
Brincando de amar.
Eram amarelas com reflexos laranjas de Sol.
Brincavam inocentemente no ar primaveril.
Uma dizia à outra coisas que eu não podia escutar, mas via com toda a clareza.
Eram coisas doces, ditas sem usar palavras.
Felizes as borboletas que podem brincar de amar.
Ai de mim borboleta!
quinta-feira, 11 de março de 2010
fragmento de uma loucura sem data
Acordo e recordo
Não pode ter sido um sonho.
Era real demais.
Palpável até...
Vou tentar acreditar que foi apenas um pesadelo...
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Relato
No meio de toda aquela tempestade
Encontrei Cecília
Me sorriu com uns olhos de saudade
Que brilhavam com a esperança da vida
Ah, Cecília! Tu que me levaste ao mar
Que me levaste de volta a infância
Como pude te esquecer?
São as coisas da vida
Ou daquilo que ousamos assim chamar
Essa sequência corrida de acontecimentos
Que não nos permitem nem ao menos lembrar do mar
Mas eu te encontrei
Te olhei nos olhos
Te li, te pensei, te senti
Te tive por uma semana
Em que foste só minha
Me lembraste que vale a pena viver
Que ainda se pode, e deve
Ter esperança no amor
E nas mulheres – e quem sabe
Até nos homens
Vou sentir tua falta
Mesmo que outras tentem tomar teu lugar
Mas quem sabe outro dia nos encontramos
Com teu sorriso e teus olhos de mar
Em uma das voltas que esse compasso da vida insiste em desenhar
E eu possa novamente cantar
Uma canção excêntrica.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Sinestesia
Tuas mãos geladas
Me lembravam azul
Tocavam-me trêmulas
Transformando o céu em mar
E eu a sonhar
terça-feira, 3 de novembro de 2009
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Pas de Deux

Pas de Deux
A bailarina vai ser sempre bailarina
Assim como o poeta será poeta para a vida toda
Mesmo que seus versos não vejam o papel
Mesmo que seus pés jamais pisem um palco novamente
Ou venham a calçar aquelas sapatilhas
Sua poesia estará sempre em sua mente
Como a dança estará sempre em sua alma
E transparecerá nos passos do dia comum
Na maneira de amar e de fazer amor
Nos gestos de carinho e até na fúria em “en dehors”
A poesia sempre lhe soará como música
E toda música acompanhará sempre uma coreografia imaginária
O sofrer, o pesar, serão sempre longos adágios
E seus momentos de felicidade
Petites Allegros
A poesia estará sempre presente
No amor profundo, inalcançável
Na paixão fulminante, nada eterna
Aparecerá no modo de falar
E até de discutir, mas principalmente
De sentir,
Único
A bailarina vai ser sempre
O poeta será para a vida toda
Lígia Chiari - em 27.10.2009