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terça-feira, 28 de junho de 2011

Desespero

Eu gosto é do desespero. da angústia. daquele sentimento que consome, que gasta, que arde. felicidade pra mim é isso. Não sei viver sem. ainda bem que existe paixão. E que a insegurança sempre vai andar comigo. lado a lado com a maior certeza que tenho.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Saudade

Tenho falado tanto e vivido tanto. Do belo, do feliz, do harmonioso. Que me deu saudade de vir aqui e falar do feio, do triste, do confuso. Mas a saudade passou rápido assim que as letras saíram de mim. A saudade era só de falar. Nunca de sentir.

domingo, 17 de outubro de 2010

A inspiração vem, assim como o rio, em grandes correntezas. E tem umas estiagens horríveis, que faz pensar que eu não sou eu em mim.
A saudade chegou apressada. Antes mesmo da distância. Um minuto de ausência e ela já é comigo. Fiel escudeira. Faz de cada dia um ano e deles mesmos vidas inteiras. só espero pela recompensa que o tempo a mim promete. Doce recompensa que fará valer e secar cada lágrima que já agora marejam os olhos. Precoces. Estúpidas. Insensatas. Não vêem que ainda não é chegada a hora? Que assim perdem todo o sentido? A beleza? Nunca percebem nada. Nunca me permitem perceber nada.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010


É um medo que vai, que fica,

escorre, corre, grita,

sai medo, fica.




Canção de nuvem e vento

Medo da nuvem
Medo Medo
Medo da nuvem que vai crescendo
Que vai se abrindo
Que não se sabe
O que vai saindo
Medo da nuvem Nuvem Nuvem
Medo do vento
Medo Medo
Medo do vento que vai ventando
Que vai falando
Que não se sabe
O que vai dizendo
Medo do vento Vento Vento
Medo do gesto
Mudo
Medo da fala
Surda
Que vai movendo
Que vai dizendo
Que não se sabe...
Que bem se sabe
Que tudo é nuvem que tudo é vento
Nuvem e vento Vento Vento!

(Mario Quintana)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Uma Vez

E agora só quero que os dias passem

Depressa

Mesmo aproveitando cada

Segundo


Quero que voem como nunca dantes

sempre à espera do segundo

eterno


O segundo, o minuto

durarão uma vida inteira


Voem horas

voem


E que cada minuto leve

consigo a lágrima que lhe cabe

Que aquele dia venha

com o sorriso

a serenidade

que aqui permanecerão

segunda-feira, 19 de abril de 2010

primavera

Hoje vi borboletas brincando de amor.

Brincando com o amor.

Brincando de amar.


Eram amarelas com reflexos laranjas de Sol.

Brincavam inocentemente no ar primaveril.


Uma dizia à outra coisas que eu não podia escutar, mas via com toda a clareza.

Eram coisas doces, ditas sem usar palavras.


Felizes as borboletas que podem brincar de amar.

Ai de mim borboleta!

quinta-feira, 11 de março de 2010

fragmento de uma loucura sem data

Acordo e recordo

Não pode ter sido um sonho.

Era real demais.

Palpável até...



Vou tentar acreditar que foi apenas um pesadelo...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Relato

No meio de toda aquela tempestade

Encontrei Cecília

Me sorriu com uns olhos de saudade

Que brilhavam com a esperança da vida


Ah, Cecília! Tu que me levaste ao mar

Que me levaste de volta a infância

Como pude te esquecer?


São as coisas da vida

Ou daquilo que ousamos assim chamar

Essa sequência corrida de acontecimentos

Que não nos permitem nem ao menos lembrar do mar


Mas eu te encontrei

Te olhei nos olhos

Te li, te pensei, te senti

Te tive por uma semana

Em que foste só minha


Me lembraste que vale a pena viver

Que ainda se pode, e deve

Ter esperança no amor

E nas mulheres – e quem sabe

Até nos homens


Vou sentir tua falta

Mesmo que outras tentem tomar teu lugar

Mas quem sabe outro dia nos encontramos

Com teu sorriso e teus olhos de mar

Em uma das voltas que esse compasso da vida insiste em desenhar

E eu possa novamente cantar

Uma canção excêntrica.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Sinestesia

Tuas mãos geladas

Me lembravam azul

Tocavam-me trêmulas

Transformando o céu em mar


E eu a sonhar

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Vivo o novo. De novo

Que seja como for

E o furacão que me envolve

Não me permite escapar

Sentimento, sem controle

Como todo puro e bom começo

Ou fim

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Pas de Deux



Pas de Deux

A bailarina vai ser sempre bailarina

Assim como o poeta será poeta para a vida toda

Mesmo que seus versos não vejam o papel

Mesmo que seus pés jamais pisem um palco novamente

Ou venham a calçar aquelas sapatilhas


Sua poesia estará sempre em sua mente

Como a dança estará sempre em sua alma

E transparecerá nos passos do dia comum

Na maneira de amar e de fazer amor

Nos gestos de carinho e até na fúria em “en dehors”


A poesia sempre lhe soará como música

E toda música acompanhará sempre uma coreografia imaginária

O sofrer, o pesar, serão sempre longos adágios

E seus momentos de felicidade

Petites Allegros


A poesia estará sempre presente

No amor profundo, inalcançável

Na paixão fulminante, nada eterna

Aparecerá no modo de falar

E até de discutir, mas principalmente

De sentir,

Único


A bailarina vai ser sempre

O poeta será para a vida toda

Lígia Chiari - em 27.10.2009